15/02/2026

Cidades

Fiocruz testará injeção semestral contra HIV em sete cidades brasileiras

O principal objetivo é gerar dados que sirvam de base para a avaliação de sua possível incorporação ao SUS

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Publicado por: Eduardo Calado 20/01/2026, 10:27

Matéria de Júlia Castelo Branco

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) dará início a um estudo com o lenacapavir, um novo medicamento de profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV, em sete localidades do Brasil: Campinas, Florianópolis, Manaus, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

O lenacapavir, já aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 12 de janeiro, será utilizado na forma injetável no estudo, embora também esteja disponível em comprimidos. A droga, que pertence a uma classe inovadora de antirretrovirais (vendida como Sunlenca), age em múltiplos pontos do ciclo replicativo do HIV, o que lhe confere um alto potencial preventivo.

 

Foto: Reprodução/Internet.

 

O estudo, denominado ImPrEP LEN Brasil, foca em um público específico: homens gays e bissexuais, pessoas não binárias designadas biologicamente do sexo masculino e pessoas transgênero, todos na faixa etária de 16 a 30 anos.

As doses foram fornecidas pela Gilead Sciences, a farmacêutica detentora do medicamento. O início das aplicações, contudo, aguarda a chegada das agulhas específicas necessárias para a administração do fármaco no país. O medicamento é indicado para indivíduos a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, e que comprovem resultado negativo para HIV antes de iniciar o tratamento.

Apesar de seu potencial, o lenacapavir enfrenta um obstáculo no alto custo. Uma publicação na revista The Lancet estima que o custo real de produção poderia variar entre US$ 25 e US$ 46 por pessoa ao ano. Em contraste, o preço anual do tratamento nos Estados Unidos pode exceder US$ 28 mil por paciente (o equivalente a cerca de R$ 150.640 na cotação atual).

No Brasil, o preço máximo do medicamento ainda será definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Sua oferta pelo SUS dependerá de uma avaliação e recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), seguida pela aprovação do Ministério da Saúde.

Questionada pelo Estadão sobre a precificação no país, a Gilead Sciences esclareceu que o valor comercial ainda não foi estabelecido e que não se devem fazer comparações com preços internacionais, pois estes não refletem o processo brasileiro.

Em relação à inclusão no SUS, a farmacêutica informou que os processos internos seguem fluxos e prazos próprios, o que impede a definição de uma data estimada para a eventual incorporação ao sistema público de saúde.

Fonte: SBT News.

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