Coordenadora detalha etapas do processo e paciente transplantada relata nova vida após 12 anos de hemodiálise
A morte encefálica, caracterizada pela parada total das funções cerebrais, é o ponto de partida para a possível doação de órgãos no Brasil. Regulamentada pela Lei 9.434, a decisão final cabe à família do paciente. No Piauí, a Central Estadual de Transplantes esclarece como é feito o diagnóstico e destaca que a compatibilidade genética é determinante para a realização do transplante.
A morte encefálica ocorre quando todas as funções do cérebro são interrompidas de forma irreversível. Mesmo que o coração ainda esteja batendo, a condição é considerada morte pela legislação brasileira. A partir desse diagnóstico, pode ser iniciado o processo de doação de órgãos — desde que haja autorização familiar.

(Foto: Reprodução/Governo do Piauí)
A coordenadora da Central Estadual de Transplantes do Piauí, Lourdes Veras, explica que o diagnóstico segue um protocolo rigoroso, realizado por dois médicos especialistas.
“Vai ser um exame que será feito por dois especialistas. Vem um primeiro neurologista ou intensivista que faz o exame neurológico. Uma hora depois vem outro médico. Depois vai fazer os exames. Tudo isso tem que ser explicado para a família entender todo o processo. O momento é o momento mais importante desse processo. Só existe transplante se houver doação”, afirmou.
Segundo ela, após a confirmação da morte encefálica, inicia-se a etapa de avaliação para possível doação. O tempo de espera por um órgão não depende apenas da posição na fila, mas principalmente da compatibilidade genética entre doador e receptor.
“É feito para o rim, para o coração, para alguns órgãos com pâncreas. É feito o exame de HLA, que são antígenos de histocompatibilidade humana, para a gente ver daquela lista quem são os pacientes mais compatíveis com o doador. O tempo de espera não conta muito, o que conta realmente é a compatibilidade tecidoal entre doador e receptor. Porque quanto mais parecido você for do ponto de vista genético, do ponto de vista de histocompatibilidade, o índice de rejeição é muito menor”, explicou.
(Foto: Divulgação/ Sesapi)
A paciente renal Marisa Costa conhece de perto a espera por um órgão. Após três tentativas frustradas, conseguiu realizar o transplante de rim. Antes disso, passou 12 anos e dois meses em hemodiálise.
“Fui transplantada, mas antes eu passei 12 anos e dois meses na hemodiálise. Fui chamada umas três vezes para fazer, mas não dava certo. Tô até que na quarta vez eu fui chamada. Depois do transplante é uma vida totalmente diferente. O transplante não é a cura. Você continua sendo uma paciente renal transplantada, dependendo de medicamentos, mas é uma vida nova. Eu sou muito grata à família do meu doador”, relatou.
Atualmente, Marisa é voluntária na associação dos pacientes renais crônicos do estado do Piauí, a PrEP, onde incentiva outros pacientes a manterem o tratamento.
“Crestar um serviço para a PrEP me ajuda muito a ajudar outras pessoas para não desistir. Muitas pessoas terminam se revoltando, sendo negligentes com a doença. E quando você mostra que ainda bem que existe uma máquina que não cura, mas que te dá uma sobrevida”, afirmou.
Para ser doador, é necessário não apresentar doenças graves que impeçam o transplante. Especialistas reforçam que a decisão pela doação pode transformar o luto em esperança e salvar vidas.