Coordenação do curso decidiu pelo afastamento temporário até a conclusão do processo administrativo
A coordenação do curso de Moda da Universidade Federal do Piauí (UFPI) afastou temporariamente a professora Glória Cele Coura após diversas denúncias de violências praticadas contra estudantes. Entre os relatos estão abusos psicológicos, morais e físicos ocorridos em sala de aula e durante diálogos com alunas.
Na tarde desta sexta-feira (17), a UFPI confirmou que a docente ficará afastada das atividades de ensino até a conclusão do processo administrativo. A reportagem tentou contato com a professora, mas não obteve retorno, deixando o espaço aberto para esclarecimentos.
Em nota publicada nas redes sociais, o Centro Acadêmico de Moda Zuzu Angel repudiou os casos relatados. “Nos últimos dias, estudantes têm exposto, de forma legítima, situações de desrespeito, autoritarismo e práticas abusivas disfarçadas de ensino, que ferem diretamente os princípios éticos, pedagógicos e humanos que devem nortear o ambiente universitário”, diz o comunicado.
Uma das estudantes, integrante do Movimento de Mulheres Olga Benário, registrou boletim de ocorrência contra a professora, a quem acusa de racismo e agressão física. Cerca de 40 alunas estão relatando, por meio de publicações em redes sociais, supostos abusos praticados pela docente.
O Movimento Olga Benário do Piauí também divulgou nota de repúdio e solidariedade às vítimas. Alunas realizaram uma manifestação no prédio do curso em protesto contra as agressões.
O pró-reitor de Assuntos Estudantis e Comunitários da UFPI, Emídio Matos, afirmou que uma das estudantes foi acolhida na Sala Lilás, espaço de apoio a vítimas de violência. Segundo ele, a universidade acompanha o caso e a decisão de afastar a professora visa garantir um ambiente seguro e saudável.
“A Coordenação do Curso de Moda resolveu afastar a professora até que se esclareça os fatos e não se intensione a relação em sala de aula, porque nosso objetivo é manter um ambiente saudável e de aprendizado na UFPI e proteger os estudantes”, declarou Emídio Matos.
O pró-reitor destacou ainda que a professora terá direito à ampla defesa durante o processo.

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