Sindicato aponta atrasos trabalhistas, enquanto STRANS afirma que repasses à empresa estão em dia.
Motoristas e cobradores da empresa Santa Cruz realizaram uma paralisação na manhã desta quarta-feira (17) na zona Sudeste de Teresina, impactando linhas de ônibus e o serviço de Transporte Eficiente, destinado a pessoas com mobilidade reduzida.

Imagem: Divulgação
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro), a paralisação, prevista para durar três horas, ocorreu em protesto contra atrasos no pagamento de direitos trabalhistas, como horas extras e ticket alimentação. O presidente do sindicato, Antônio Cardoso, criticou a empresa por descumprir a convenção coletiva e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), destacando que o ticket alimentação estaria sendo pago de forma parcelada e que há acúmulo de até três meses de horas extras não quitadas, atingindo trabalhadores com jornadas de até 14 horas.
Ainda de acordo com Cardoso, a situação penaliza diretamente a população, especialmente usuários do Transporte Eficiente, como pacientes em tratamento de hemodiálise com horários agendados. O sindicato informou que buscou esclarecimentos junto à Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (STRANS), que teria garantido que os repasses às empresas estão em dia.
Em nota, a STRANS confirmou que o serviço prestado pela empresa Santa Cruz foi suspenso nas primeiras horas desta quarta-feira, mas informou que, após alinhamento com a empresa, a operação foi prontamente restabelecida, garantindo a normalidade do atendimento na zona Sudeste.
O órgão também afirmou que a empresa possui todos os pagamentos referentes à prestação de serviços do ano de 2025 em dia, e que eventuais atrasos nos repasses ocorrem exclusivamente por ausência ou divergências na documentação e certidões exigidas mensalmente para a liberação dos pagamentos.
O Sintetro informou que a mobilização teve caráter de advertência, mas não descarta a possibilidade de greve por tempo indeterminado caso os pagamentos não sejam regularizados, especialmente diante da proximidade do adiantamento salarial e do 13º salário, previstos para o dia 20. O sindicato também avalia acionar o Ministério Público do Trabalho, a STRANS e a Prefeitura de Teresina caso os problemas se estendam a outras empresas.