A tragédia do suicídio

2 de maio de 2019

 

Vivemos uma tragédia silenciosa no Piauí.

Uma tragédia que, confesso, sou cúmplice.

Mas não sou o único culpado nessa história, disso tenho certeza.

Convencionou-se no código de ética do jornalismo brasileiro que jornalista não deve divulgar suicídio. Grandes nomes da imprensa brasileira nos ensinaram que suicídio não é notícia a ser divulgada. Esses mesmos especialistas acreditavam e ainda acreditam seus seguidores que  divulgar suicídio é incentivar a quem tem tendência suicida, mas não tem coragem de se matar. Traduzindo: divulgar suicídio incentiva o suicídio.

Mas isso será mesmo verdade?

Confesso que não sei.

Se é verdade, como explicar a situação do Piauí diante desse problema?

A imprensa do Piauí há muito virou as costas para esse tipo de notícia. Aqui ninguém divulga suicídio, mas as pessoas continuam se matando.

Ninguém divulga, mas Teresina há muito tempo é uma das campeãs nacional em número de suicídios.

Isso mesmo. Teresina, a capital do Piauí, possui um dos maiores índices de suicídios do Brasil.

No Piauí, onde a imprensa se cala em obediência ao seu próprio código, o índice de suicídio é 57% maior que a média nacional.

Esse percentual, sem dúvida,  é alarmante.

Não só alarmante, mas preocupante. 

Independentemente do silêncio da imprensa, o suicídio é um grave caso de saúde pública e tem que ser tratado como tal.

O suicídio – dizem os especialistas – não acontece do nada. Trata-se de uma consequência decorrente de uma série de fatores de natureza emocional, psicológica e até mesmo física.

Não há, pelo menos até agora, estudos que apontem uma causa específica que leve alguém a atentar contra a própria vida, mas existe a certeza de que pelo menos 90% dos casos de suicídio são evitáveis. E se são evitáveis, o que realmente estamos fazendo para evitá-los?

Desesperança, falta de perspectiva, solidão, falta daquele senso de pertencimento a um grupo, pressões sociais, a necessidade de se encaixar em um modelo pronto, a ansiedade, se sentir obrigado a atender expectativas, tudo isso contribui para o agravamento de um problema que não pode mais ficar no anonimato, não pode mais ser jogado para debaixo do tapete.

A vida até pode ser uma loucura e o mundo até pode ser triste, mas vale a pena matar-se por isso?

Não podemos desistir diante da primeira dificuldade, não podemos desistir só porque as coisas são ou se apresentam difíceis. Acredite sempre que o melhor ainda está por vir.

Desistir não vai fazer de você um vencedor.

Ou como prega o escritor Paulo Coelho: Não desista. Geralmente é a última chave no chaveiro que abre a porta.

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