O novo velho

8 de maio de 2019

 

No mundo industrial, no mundo comercial, é comum a reestilização de produtos.

Reestilizar, a grosso modo, é mudar, é acrescentar algo.

A fábrica de automóvel, por exemplo, vive acrescentando alguma coisa ao seu produto para torná-lo mais agradável, mais palatável, como se diz.

O fabricante de cerveja vive a mudar rótulos, vive a criar comerciais sofisticados para chamar a atenção dos consumidores.

Os fabricantes de sal, de açúcar, de fumo, enfim, todos fazem isso.

A questão não é tanto melhorar o produto. É mudar a imagem, é fazer crer que aquele novo visual é a garantia de um produto de qualidade superior, é um produto mais eficiente, mais puro.

No mundo comercial, no mundo industrial, funciona assim.

Mas na política não.

Na política, mudar o rótulo não significa muita coisa.

Mesmo assim, os políticos estão tentando usar a mesma tática adotada pelo comércio e pela indústria no Brasil.

Pois é.

No Brasil, os partidos políticos estão mudando o rótulo e se apresentando como novo.

Agora mesmo é a vez do MDB anunciar que vai mudar de nome, vai mudar de embalagem. Vai trocar algo que considera velho e surrado por algo novinho em folha.

O MDB, que nasceu MDB e depois virou PMDB, para ser MDB novamente, quer ser apenas Movimento. O MDB não quer mais ser Democrático e muito menos Brasileiro.

O velho MDB de guerra, o partido que ousou desafiar a ditadura militar, o partido que ousou enfrentar os anos de chumbo e que em algum momento representou as verdadeiras aspirações da sociedade brasileira, está morrendo.

O MDB está dando os últimos suspiros, no ponto para a extrema unção, mas não quer ser enterrado. Quer reencarnar na pele de um Movimento.

Quer renascer, quer ser novo de novo. Como fênix, quer ressuscitar das cinzas.

Essa ideia que o MDB anuncia como o seu  próximo passo mostra a quantas andam a politica e os políticos brasileiros. Mostra de forma bem definida que a política não é mais uma coisa séria, mostra que não podemos confiar em políticos  – pelo menos em boa parte deles. Vivemos a politica do faz de conta.

A politica de hoje quer nos fazer crer, por exemplo, que o Progressista não é o velho PP; quer nos fazer acreditar que o DEM não é o PFL que um dia já foi PDS.

Agora querem nos fazer acreditar que o Movimento é algo novo, inovador até, mesmo com o ex-senador Romero Jucá sendo o seu presidente.

Triste fim para um partido que já teve em seus quadros figuras inesquecíveis como Freitas Nobre, Alencar Furtado, Paulo  Brossard, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães e tantos outros.

Triste fim.

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