Homens fracos

20 de maio de 2019

Certo dia um repórter perguntou a Mohammed bin Rashid, primeiro-ministro e vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos, sobre qual futuro ele imaginava para Dubai, aquela cidade maravilhosa do golfo pérsico, erguida para ser sinônimo de riqueza, modernidade e ostentação.

A resposta foi um exemplo de sabedoria e por isso hoje é conhecida no mundo inteiro. Disse o primeiro ministro:

Meu avô andava de camelo.

Meu pai andava de camelo.

Eu ando de Mercedes Benz.

Meu filho anda de Land Rover.

O meu neto vai andar de Land Rover.

Mas o meu bisneto vai andar de camelo.

Tempos difíceis criam homens fortes.

Homens fortes criam tempos fáceis.

Tempos fáceis criam homens fracos.

E homens fracos criam tempos difíceis…

 

Uso esse texto, por entender que ele tem muito a ver com o Brasil e com os brasileiros.

Exatamente o brasileiro que saiu de cima de um jegue lá nos primórdios para se divertir em velozes aviões graças a um momento de deslumbre promovido pelo dinheiro oficial.

Não resta dúvida de que foi bom enquanto durou. Pena que tenha durado tão pouco.

É exatamente nesse ponto que entra a sabedoria árabe:

Tempos fáceis criam homens fracos. E homens fracos criam tempos difíceis.

Gostamos tanto de sair do lombo do jumento para o conforto de uma Mercedes que agora, quando forçosamente estamos fazendo o caminho inverso, nos transformamos em homens fracos; somos agora umas pessoas apáticas, sem iniciativas e sem coragem nem mesmo para erguer a cabeça, muito menos para lutar.

Somos os verdadeiros bisnetos do avô árabe, somos bisnetos de avós ricos que saíram das corcovas dos camelos para a maciez de um Land Rover. Somos, como se diz aqui no Brasil, a certeza de que o avô rico sempre deixa filhos ricos, que por sua vez geram netos remediados, que geram bisnetos pobres. No Piauí temos vários exemplos disso.

Mesmo diante dessas vicissitudes, mesmo diante dos altos e baixos da vida, não podemos perder a vontade de lutar. É muito importante continuar lutando.

A sabedoria árabe nos ensina que a coisa mais difícil para o homem é o conhecimento próprio. Mas nos ensina também que tudo o que acontece uma vez pode nunca mais acontecer, mas tudo o que acontece duas vezes, acontecerá certamente uma terceira.

 Não podemos, de jeito nenhum, pensar em ensarilhar as armas nesse momento.

O momento é de luta.

O momento é de luta pela paz.

O momento é de luta pela nossa sobrevivência.

O momento é de  luta pela ressureição do Brasil.

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