É difícil ser Neymar

6 de junho de 2019

 

Nesses imbróglios todos envolvendo o jogador Neymar – por ultimo este caso com uma modelo que o acusa de estupro – alguém lembrou que ser Neymar não é fácil.

Pensando bem esse alguém tem razão. Não é fácil ser Neymar.

Mas também não é fácil ser brasileiro, não é nada fácil ser brasileiro e pobre.

Ser Neymar, um jogador que ganha cerca de 400 milhões de reais por ano, pode até ser difícil, reconheço isso. Mas em nada se iguala ao pobre brasileiro que ganha um salário mínimo de 998 reais ao final de cada mês trabalhado.

Realmente é difícil ser Neymar.

E deve ser mais difícil ainda sair de helicóptero de 50 milhões de reais de casa para o trabalho; dever ser mais estafante ainda voltar para casa sem nenhum sinal de engarrafamento à frente.

Fácil deve ser a vida de um trabalhador da periferia de Teresina, obrigado a acordar de madrugada para disputar uma vaga nos ônibus da Integração.

É difícil ser Neymar e ter que se abrigar numa casa de praia que custou quase 30 milhões de reais. Apenas um de seus vários imóveis.

Fácil deve ser a vida de seu Zé, aquele operário teresinense que ao final do mês não tem mais dinheiro para o ônibus e vai a pé para sua distante casinha do Minha Casa Minha Vida.

Não é fácil ser Neymar. Fácil é ser seu Zé.

Mas Neymar teria coragem de trocar sua vida e seu modo difícil de viver pela vida de seu Zé?

O Neymar difícil de ser, gasta um salário mínimo só na sua principal refeição. Seu Zé, não. Seu Zé tem que se rebolar para garantir o sustento da mulher e seus cinco filhos durante todo o mês com o dinheiro de apenas um prato do jogador.

Com o dinheiro que o jogador gastou nessa sua última farra com a mulher que o chama de estuprador, Seu Zé certamente viveria tranquilo um ano inteirinho. Ou mais.

Mas é difícil ser Neymar. Fácil é ser seu Zé.

Neymar quando adoece tem a sua disposição um batalhão de médicos que o atende no conforto da residência.

Seu Zé, apesar da vida mais fácil, não tem tanta sorte assim. Seu Zé, se sofrer um acidente tem que ter a sorte de ser socorrido por uma ambulância que o leve direto para o HUT. Caso contrário vai penar nos corredores dos hospitais públicos de Teresina.

Ai que vida.

Quem tem reclama.

Quem não tem se conforma.

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