O Brasil das ruas

27 de junho de 2019

Anunciam-se para o próximo domingo novas passeatas pelas ruas do Brasil, inclusive pelas ruas do Piauí.

Desta vez os anúncios dão conta de uma passeata em defesa do ministro Sérgio Moro e da Lava Jato.

 

O brasileiro há muito tempo adora uma passeata, adora até porque ela reúne pessoas de todos os tipos e os mais diversos pensamentos.

Uma parcela da população comparece porque acredita na causa em debate; outra parcela comparece porque gosta ou porque acha bonito o movimento; mas há tampem aquela parcela da população que participa sem nem ao menos saber do que se trata. Essa é a parcela que gosta mesmo é da furupa.

 

Mas a verdade é que o brasileiro continua gostando de passeatas.

Seja para derrubar, seja para enaltecer valores de alguém, o povo tá lá.

 

Nos últimos tempos parece que o brasileiro adotou a passeata como uma competição entre alas de pensamentos contrários. O objetivo é mostrar quem tem mais seguidores, quem leva mais gente para as manifestações e soma mais prestigio.

 

Mas é preciso reconhecer que a passeata representa um legítimo direito do povo brasileiro. A Constituição nos garante isso. A Constituição nos assegura  o direito à livre manifestação.

 

Há décadas o brasileiro adotou para si esse direito inalienável e as passeatas se sucedem ao longo do tempo.

Na crise política que resultou na implantação de uma ditadura militar no Brasil, ficaram famosos movimentos como a passeata  dos cem mil e a marcha da família com Deus pela liberdade. A passeata dos cem mil criticava a ditadura, a macha pela família era contra o comunismo e em apoio ao governo ditatorial.

 

O brasileiro, sem dúvida, adora uma passeata.

Para que se tenha uma ideia mais clara do nosso  amor por este tipo de manifestação, é bom lembrar que ainda nos conturbados anos 60 – por volta de 1967, em plena ditadura, portanto – fizemos uma passeata contra o uso, imaginem só. Fizemos uma passeata contra o uso da guitarra elétrica no país.

Viva o violão! Abaixo a guitarra elétrica! Eram essas as palavras de ordem entoadas por ninguém menos que Elis Regina, Jair Rodrigues, Zé Kéti, Geraldo Vandré, Edu Lobo, MPB 4 e outros menos famosos.

As passeatas nem sempre conseguem seus objetivos.

A guitarra elétrica, por exemplo, se impôs ao desejo tupiniquim de permanecer a vida inteira com a viola e o violão e o venceu.

Mas passeata é para isso mesmo, na passeata o que menos importa é o resultado final.

A passeata é uma espécie de carnaval bem verde-amarelo que pode acontecer a qualquer dia e mês do ano, de qualquer ano.

E o brasileiro adora isso.

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