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A lua não é mais dos namorados

19 de julho de 2019

Há meio século, exatamente no dia 20 de julho de 1969,  o homem pisou na lua pela primeira vez.

Um pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade, disse Neil Armstrong, o primeiro ser humano a por os pés no solo lunar.

Há 50 anos, portanto, a lua deixou de ser apenas dos namorados.

Agora a lua é do homem, é da mulher. Agora a lua é de todos. E o culpado é o homem.

A chegada do homem à lua provocou esta mudança.

Ao pisar na lua, o homem quebrou o encanto e feriu de morte o romantismo. Deixou os poetas órfãos.

Ao dominar a lua o homem esmagou os sentimentos que sempre nos ligaram aos mistérios imaginários do universo.

A conquista da lua pode sim ter sido um grande salto para a humanidade, ninguém nega isso, mas fez um grande mau para os corações apaixonados e sonhadores da terra, que sempre acreditaram na força e na beleza do luar.

Há quem diga até que a lua não é mais a mesma. Depois da chegada dos intrusos, a lua perdeu seu magnetismo, perdeu seus encantos. Nesses 50 anos, nem mesmo a lua cheia é mais a mesma.

Acabou o encanto, acabou a magia.

Os enamorados ficaram ao desabrigo, ficaram descobertos, foram transformados em simples sem teto embaixo de uma lua sem mais tantos encantos.

A lua era inalcançável e tinha que continuar assim, inalcançável, distante. Só mesmo o coração sempre  apaixonado dos poetas deveria ter esse poder de chegar até lá e vasculhar seus encantos.

Só o poeta em seus sonhos e delírios de amor deveria ter o poder de alcançar a lua em sua plenitude. O astronauta não.

O astronauta é um intruso nesse ambiente. Ele é um invasor. Ele é uma espécie de MST lunar. Ele é um destruidor implacável. Ele, com sua louca bravura,  desvirginou a mais amada de todos nós.

Ele, o astronauta que hoje ri de sua aventura, secou a fonte maior de inspiração dos amantes. Os sonhos inspirados e alimentados pela beleza da lua já não são tão inspiradores assim. Não há mais como compará-los com o passado, com os sonhos de antigamente.

Vivo, o grande poeta Vinicius de Moraes veria hoje que já não são demais os perigos desta vida para quem tem paixão, principalmente quando uma lua surge de repente e se deixa no céu, como esquecida.

Mas não foi falta de aviso.

Em 1962, sete anos antes da chegada do homem a lua, a inesquecível Ângela Maria e outros grandes nomes do cancioneiro nacional já espalhavam o recado do compositor pernambucano Armando Cavalcanti: “Lua, oh lua/Querem te passar pra trás

Lua, oh lua/ Querem te roubar a paz”

Roubaram.

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