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O freio necessário 

24 de julho de 2019

O político brasileiro precisa por um freio à sua própria irresponsabilidade.

O político brasileiro precisa conter seus impulsos e reexaminar uma a uma as suas propostas que cheiram mais a demagogia com o único fito de agradar pessoas em processo de desespero por conta de um ou outro problema de gravidade reconhecida.

Estão sempre tentando avançar mais do que o alcance da perna e isso –todos sabem – não é nada bom.

Um exemplo é o projeto de lei protocolado na Câmara e apoiado por deputados de dez partidos que prevê um esvaziamento nas funções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa.

A ideia é permitir a entrada de remédios no País sem precisar passar pelo crivo do órgão de controle, hoje uma de suas principais atribuições. 

Esses políticos entendem que a Anvisa demora muito tempo para liberar medicamentos importados e que isso prejudica os pacientes, principalmente os portadores de doenças raras.

Mais uma vez estamos querendo eliminar o boi para ficar livre dos carrapatos.

Se o problema é a demora na liberação do medicamento, não seria mais interessante tentar agilizar esse processo? Não seria mais interessante que a Anvisa fosse adequada às reais necessidades dos brasileiros?

Esquecem esses parlamentares que a Anvisa trabalha exatamente para proteger a saúde dos brasileiros.

Um dos aspectos avaliados pela Anvisa para autorizar um medicamento, por exemplo, é o estudo de estabilidade para garantir que o medicamento mantenha sua qualidade durante todo o prazo de validade.

Como o Brasil é mais quente e úmido que os países europeus, que os Estados Unidos e que o Japão, existem requisitos de estabilidade específicos para o território nacional.

Outra questão apontada pela Anvisa é que nem sempre os estudos conduzidos em medicamentos internacionais consideram as especificidades da população brasileira quanto aos aspectos epidemiológicos.

Assim sendo, como defender tal prática em território brasileiro?

Não podemos ir com tanta sede ao pote.

O problema existe. Existe e é grave, todos nós sabemos.

Mas não é por isso que devemos queimar etapas em questão tão delicada.

Ao lançar mão de um medicamento fabricado no exterior, os profissionais brasileiros precisam ter a garantia de que esse remédio dará o resultado que todos esperam. Sem os procedimentos necessários de pesquisa fica impossível essa garantia.

A proposta pode até ter boa intenção, afinal quer agilizar o atendimento desses pacientes, mas não se pode agir de forma irresponsável e açodada numa situação em que o que está em jogo é a vida humana.

Pensemos nisso.

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