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O Brasil e suas majestades

30 de julho de 2019

O Brasil republicano é um país relativamente jovem, um país com apenas 130 anos de idade.

Antes disso o Brasil foi uma colônia, depois um Império. O Brasil foi um império com tudo o que tinha direito, inclusive reis, imperadores, rainhas, príncipes e princesas.

O Brasil foi um reino como os demais reinos da época, cheios de histórias de traições, de intrigas palacianas, de disputa pelo poder, enfim…

Mas a história é outra. É um lado da história de um povo que perdeu seu reino, perdeu seus reis e rainhas, mas nunca perdeu a majestade.

É a história de um povo sem reino e sem reis, mas que continua adorando um título de nobreza.

Esta é uma das muitas histórias do povo brasileiro e de suas manias de grandeza, afinal em nenhum lugar do mundo essa história é contada assim.

No Brasil temos Pelé, um eterno rei do futebol que só será substituído quando morrer, como reza a mais legítima tradição de qualquer realeza que se preze.

Temos aqui Luís Gonzaga, o rei do baião, cuja coroa anda de mão em mão entre os maiores forrozeiros do país, todos seus seguidores.

Qual o país, se não o Brasil, tem uma rainha chamada Marta. Uma rainha sem sangue azul, mas que orgulha a todos pela sua habilidade com uma bola de futebol nos pés?

Quem no mundo inteiro já se preocupou em escolher uma rainha para os seus baixinhos? Só o Brasil mesmo. Aqui temos sua majestade Xuxa primeira e única, a rainha dos baixinhos.

Somos tão obcecados por títulos de nobreza que chegamos a adotar o jogador Falcão como o Rei de Roma. Logo depois adotamos Adriano, outro jogador brasileiro, como o imperador romano.

Mas não paramos por aí. Ainda não estamos satisfeitos. Precisamos de muito mais.

Por isso temos o rei e a rainha da jovem guarda, Roberto Carlos e Wanderleia. Jovem guarda que ainda tem seu príncipe herdeiro, Ronnie Von.

Temos a rainha do rebolado e a rainha do bum bum, espelhadas na figura de Gretchen.

E temos o rei do coladinho – seja lá o que isso signifique – que atende pelo nome de Paulinho Paixão, famoso também pelas idas e vindas a delegacias acusado de bater em mulher.

A relação não acaba aqui.

Temos o rei do cangaço, representado por Lampião, uma figura violenta e perversa que assombrou o sertão nordestino nos anos 20 e 30.

Querer o que com uma família real assim?

No Brasil das majestades, pelo visto, só mesmo o velho Mané Garrincha continuou um mané, embora fosse ele o rei dos dribles.

Dribles que levavam seus súditos à alegria extrema na época em que ainda se acreditava na nossa grandeza e na nossa invencibilidade.

Peço desculpas aos que ficaram fora desta primeira leva, como o rei da cacimbinha, o rei do camarote.

Na próxima, quem sabe…

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