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Surdos e mudos

28 de agosto de 2019

Nem sempre queremos ver aquilo que está bem claro à nossa frente.

Nem sempre queremos ouvir aquilo que fala bem claro aos nossos ouvidos.

O homem geralmente só enxerga o que quer ver e só escuta o que quer ouvir.

Todos nós queremos defender o mundo, todo mudo quer salvar Amazônia, quer salvar o planeta. Mas muitos desses que hoje se apresentam como verdadeiros Dom Quixotes  negam-se a ceder o assento no ônibus a uma pessoa idosa.

Belo exemplo de solidariedade.

Enxergamos o mundo distante precisando ser salvo, mas não ouvimos o clamor daquela pessoa ao nosso lado que também pede socorro.

Queremos salvar o mundo, é verdade. O mundo está em perigo.

Mas não ajudamos um deficiente atravessar a avenida. O mundo está em perigo, o deficiente não.

A hipocrisia humana não tem tamanho.

A hipocrisia humana pode levar a pessoa a se indignar com uma cena de novela, mas não o faz tomar a mesma atitude diante de um irmão humilhado e injustiçado na realidade.

A hipocrisia é hoje a grande deformidade da raça humana.

Somos Dom Quixotes do mal.

Murilo Costa, do site O quarto escuro, diz que o ser humano, como todos nós sabemos,  é cheio de imperfeições.  Não somos virtude pura, tampouco conseguimos alcançar esse estado.

Enganamos os outros e a nós mesmos e nesse momento a mentira se torna a verdade, e é justamente essa mentira que sustenta a vida em sociedade.

Como disse o poeta Carlos Drummond de Andrade, “Acreditar em nossa própria mentira é o primeiro passo para o estabelecimento de uma nova verdade”.

A mentira sustenta a vida em sociedade, não queremos lidar com as imperfeições uns dos outros, justamente por acreditarmos nesse ideal de virtudes humanamente inalcançáveis.

A hipocrisia está em negar que somos imperfeitos e condenar àqueles que não aceitam fazer o mesmo.

O disfarce está em fingir ser algo que não se é, criando uma idealização de si, um personagem, que se comporta e pensa da forma exigida pela idealização.

A hipocrisia é uma ferramenta para manter esse disfarce.

É necessário que se mantenha as virtudes que originalmente o indivíduo não possui.

Agindo assim a pessoa passa a ser refém dessa imagem criada, e então, ela deve manter o disfarce e esconder sua verdadeira natureza, negando seus desejos e aspirações para se concentrar na manutenção de seu personagem.

Camus, o grande escritor Albert Camus, alerta que “Ninguém parece perceber que algumas pessoas gastam uma energia tremenda para meramente ser normal.”

Mas o que é ser normal, senão uma tentativa de normalizar o comportamento humano, dizendo o que é aceitável um indivíduo ser, fazer ou parecer?

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