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O inferno verde amarelo

4 de setembro de 2019

Se você está atravessando o inferno… não pare. Esta frase, dita por um primeiro ministro inglês ainda nos anos 40, durante a segunda guerra mundial, prendeu minha atenção no final de semana.

Com a frase na cabeça, resolvi pesquisar um pouco sobre o inferno, este horror que nos assombra da infância ao momento do último suspiro.

Não precisei andar muito.

Logo encontrei um texto primoroso sobre o inferno brasileiro, o nosso inferno verde-amarelo, de autoria do impagável Stanislaw Ponte Preta, criação do nosso igualmente impagável Sérgio Porto, escrito em 1965.

É a história de um brasileiro que morreu e foi direto para o inferno, sem escalas.

Em lá chegando, pediu audiência a Satanás e perguntou:

— Qual é o lance aqui?

Satanás explicou que o Inferno estava dividido em diversos departamentos, cada um administrado por um país, mas o falecido não precisava ficar no departamento administrado pelo seu país de origem. Podia ficar no departamento do país que escolhesse. Ele agradeceu muito e disse a Satanás que ia dar uma voltinha para escolher o seu departamento.

Saiu do gabinete do Diabo e foi logo para o Departamento dos Estados Unidos, achando que lá devia ser mais organizado o inferninho que lhe caberia para toda a eternidade. Entrou no Departamento dos Estados Unidos e perguntou como era o regime.

Um assessor graduado foi logo explicando: Aqui são quinhentas chibatadas pela manhã e duas horas num forno de 200 graus. Na parte da tarde são geladeira a 100 graus abaixo de zero até às três horas e depois volta para o forno de 200 graus.

O defunto brasileiro tratou de cair fora e saiu em busca de um departamento menos rigoroso. Esteve no da Rússia, no do Japão, no da França, mas era tudo a mesma coisa. Foi aí que lhe informaram que não adiantava procurar, era tudo igual: a divisão em departamentos era apenas para facilitar o serviço.

O inferno é socialista, lá é tudo igual. Em qualquer lugar que resolvesse ficar teria que se submeter a quinhentas chibatadas, mais forno e frio.

 

O falecido já caminhava desconsolado por uma rua infernal, quando viu um departamento com o nome Brasil na porta.

Ali, nosso defunto verde amarelo notou que a fila à entrada era maior do que a dos outros departamentos.

Entrou na fila e começou a chatear o camarada da frente, perguntando por que a fila era maior e os enfileirados menos tristes.

O camarada da frente fingia que não ouvia, mas ele tanto insistiu que o outro, com medo de chamarem a atenção, disse baixinho:

— Fica na moita, e não espalha não. O forno daqui está quebrado e a geladeira anda meio enguiçada. Não dá mais de 35 graus por dia.

— E as quinhentas chibatadas? — perguntou o falecido.

— Ah… o sujeito encarregado desse serviço vem aqui de manhã, assina o ponto e cai fora.

Mais parecido com o Brasil atual impossível.

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