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Gif sobre o fundo estadual dos direitos da criança e do adolescente.

Pensando o que?

5 de fevereiro de 2020

Recebi de um ouvinte a seguinte mensagem:

“A gente fica pensando. O povo brasileiro não liga para autoritarismo. Nem nazismo.

Certo, nunca ligou. O povo não liga para perda de direitos, nem para economia travada, não liga para pane nos serviços públicos.

O povo tá ligando para que?”

Alguém sabe?

Realmente saber o que pensa o brasileiro hoje é muito difícil. Mas sempre foi assim. Sempre foi difícil fazer essa avaliação.

Do final dos anos 50 até o início dos anos 70, o brasileiro se encantava com o futebol.

A seleção de Pelé e Garrincha cuidava com esmero da felicidade geral da Nação. Era o suficiente, ou era o bastante.

A violência política oculta pela censura ou pela falta de interesse dos próprios brasileiros não chamava tanta atenção. Importava sim o tricampeonato no México.

Além do futebol, o brasileiro sempre gostou de carnaval.

O carnaval foi e continua sendo a grande vitrine do Brasil no exterior e motivo de contentamento popular.

Com a aposentadoria de seus maiores craques e o  declínio da seleção, restou o consolo do carnaval.

Sem uma pesquisa mais profunda sobre o assunto, a única certeza que resta é que o brasileiro gosta de festa. De festa e de vida mansa.

Nelson Rodrigues dizia  que o brasileiro não está preparado para ser o maior do mundo em coisa nenhuma.

Ser o maior do mundo em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade.

O brasileiro, pelo que se deduz, não é afeito a uma responsabilidade, nem que essa responsabilidade seja a de um emprego.

Uma pesquisa feita no ano passado revela que o brasileiro está mais preocupado com as suas férias do que com a própria aposentadoria.

Isso nos leva à uma conclusão prática: se depender de uma reação popular aos mau feitos, o Brasil sinceramente sucumbirá de vez. O brasileiro, pelo visto, não pretende sair tão cedo de sua zona de conforto.

A conformação é a mais clara demonstração de falta de solidariedade entre as pessoas.

É o mais claro sinal de que estamos mais preocupados com o nosso próprio umbigo.

Se minha vida consegue ser pelo menos razoável, por que me preocupar com a vida dos outros?

O que me interessa saber se o vizinho de um lado ou de outro passa dificuldades?

Este é o mundo do eu sozinho. Não preciso de ninguém e ninguém precisa de mim.

Só que na vida a gente sempre precisa de alguém.

Quem pensa diferente, pensa errado.

E um dia poderá se arrepender.

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