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Polícia

Falta de eficiência da segurança pública torna o cidadão piauiense refém do medo

O Piauí tem em média um policial para cada 546 habitantes

Publicado por: Juliana Andrade 19/01/2022, 11:10

A segurança no estado do Piauí tem sido destaque negativo nos últimos anos. A sensação de vulnerabilidade do cidadão tem crescido de forma proporcional com o crescimento da criminalidade.

Diego Andrade é Engenheiro Agrônomo e mora em Teresina. Ele destaca a sensação de insegurança que tem ao sair de casa. “A gente vive numa sensação de insegurança muito grande em Teresina. Eu não vejo mais a polícia nos bairros, fazendo ronda. Hoje não se pode mais sair à noite, eu mesmo tenho receio, pois a situação está realmente terrível”, contou.

A Professora Helena Monteiro diz não se sentir segura na própria casa. “Eu não me sinto segura nem mesmo dentro de casa porque já fui assaltada na minha residência. Não me sinto segura no trabalho. Praticamente não usamos o transporte público porque não temos segurança nas paradas e nem dentro do ônibus. É muito difícil viver sempre em estado de alerta”, relatou.

Atualmente, segundo a Polícia Militar do Piauí (PM-PI), a corporação possui o efetivo de 6.022 policiais para a segurança de todo o Estado, que de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possui uma população estimada de 3.289.290 pessoas. O que dá uma média de aproximadamente um policial para cada 546 habitantes.

Viatura PM-PI (Foto: Divulgação/TCE-PI)

Do total de 6.022 do quadro de policiais, de acordo com o levantamento da Associação Dos Oficiais Militares do Estado do Piauí (AMEPI), 813 compõe o batalhão de policiamento de guardas, responsável pela segurança dos órgãos públicos no estado. Ainda segundo a Amepi, o órgão público que tem mais policiais a disposição é o Tribunal de Justiça do Piauí, com 212 policiais, seguido do Gabinete Militar do Governo do Estado do Piauí, com 156 policiais e Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), com 122 policiais.

Mesmo com policiais militares à disposição, a Assembleia legislativa do Piauí contratou em 2021 uma empresa de segurança privada. A Alepi informou através da sua assessoria de comunicação que reduziu o para 78 o seu número de praças, cumprindo o decreto do Poder Executivo, nº 18.555 de 4 de outubro de 2019, que determina a redução no número de policiais nas companhias de guarda dos órgãos. E que os policiais que estão na ativa a disposição da Alepi, continuam a exercer suas atividades operacionais cumprindo a escala de 12h por 36h, além de encaminhar ao Poder Executivo o pedido de substituição dos que são da ativa por policiais da reserva.

Assembleia Legislativa do Piauí (Foto: Divulgação Alepi)

Em nota, a Amepi se posicionou de forma favorável ao retorno do efetivo destinado aos órgãos públicos para o serviço ostensivo. Mas destaca que para que haja uma segurança de qualidade e de efetividade no estado do Piauí, a polícia militar deve passar por uma reestruturação, oferecendo melhores condições de trabalho, além de valorização salarial.

Enquanto 813 policiais estão fora da ostensividade, a PM-PI registrou de janeiro a novembro de 2021, 103.229 atendimentos, 4.665 prisões e apreensões, 1.119 apreensões de armas de fogo, além de 713 ocorrências com drogas.  O comandante geral da PM-PI, Cel. Lindomar Castilho, garante que o governo do estado oferece toda a estrutura necessária para que o trabalho de segurança da PM-PI aconteça de forma efetiva.

“Nós temos feito muitas operações especiais diariamente em um esforço permanente da polícia. O governo do Estado, por sua vez, da mesma forma, dando as condições que precisamos. Um exemplo concreto disso é o pagamento de operações planejadas, que é o policial que trabalha na sua folga de forma indenizada. Nós tínhamos R$ 500 mil para esses pagamentos e o governo aumentou para R$ 1,2 milhão para multiplicarmos as operações na polícia militar. O governo também renovou a frota de viaturas, hoje a PM-PI conta com 100% de sua frota em todos os municípios com carros novos, além de autorizar o maior concurso da história da polícia do Piauí. São exemplos que mostram que o que cabe é polícia militar é feito permanentemente”, disse.

Lindomar Castilho, Comandante Geral da PM-PI (Foto: Reprodução)

Mesmo diante do cenário de caos na segurança do Piauí, o concurso que anunciou mil vagas para polícia militar do estado e que estava com provas marcadas para o dia 5 de dezembro, foi adiado por três vezes com a alegação de que os locais de aplicação não atendiam as condições necessárias para evitar a proliferação do covid-19. A prova está prevista para ser realizada no próximo dia 30 de janeiro.

O especialista em Segurança Pública, oficial da PM-PI e professor do curso de Direito da Universidade Estadual do Piauí, Reginaldo Canuto, assegura que o principal motivo para a atual situação da segurança no estado é a falta de investimento.

“Enquanto pesquisador da segurança pública, sei que há a necessidade de uma constante de investimento na segurança. Tanto em recursos humanos, como nas condições de trabalho, equipamentos de proteção individual, treinamento, remuneração. A gestão tem que valorizar os policiais e realizar investimentos em tecnologias que ajudam a inteligência policial para enfrentar a criminalidade”, ressaltou.

Reginaldo Canuto (Foto: Arquivo Pessoal)

Para Reginaldo Canuto, o ideal para oferecer segurança de qualidade no estado do Piauí, deve haver um aumento no efetivo de policiais para que de fato aconteça um policiamento ostensivo no estado.

“Há a necessidade do aumento do efetivo. O número atual é menor do que o de 20 anos atrás. Temos aproximadamente 6 mil policiais, e para atender os 224 municípios do Piauí, é necessário no mínimo o dobro. Então há uma necessidade de uma presença maior da PM no Piauí, principalmente no trabalho ostensivo”, destacou.

Infelizmente a liberdade do cidadão piauiense fica cada vez mais ameaçada por conta da criminalidade, e os responsáveis pela segurança do estado parecem não enxergar a realidade do povo, que aos poucos, passou a não ocupar os espaços pertencentes a sociedade e se tornou refém do medo.

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