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Familiares e amigos de vítimas de feminicídio no Piauí realizam protesto em frente ao TJ-PI

Participantes cobram celeridade no julgamento dos casos de assassinato e violência doméstica

Publicado por: Eric Souza 24/11/2021, 10:16

Matéria de Wanderson Camêlo (com colaboração de Eric Souza)

Familiares, colegas e amigos de quatro mulheres vítimas de feminicídio no Piauí se reuniram nesta quarta-feira (24) em frente ao Tribunal de Justiça (TJ-PI) para cobrar da corte mais celeridade no julgamento dos casos. O dia 24 foi escolhido porque é quando se realiza, em todo o mundo, atos em alusão ao Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher.

O grupo deu ênfase aos casos relacionados às mortes de Aretha Dantas, Camilla Abreu, Iarla Lima e Vanessa Carvalho e também reivindicou o aceleramento no julgamento dos processos judiciais de casos de violência doméstica e crimes de feminicídio pendentes no estado.

Manifestantes fixaram cartazes e cruzes em frente ao Tribunal de Justiça (Foto: Wanderson Camêlo/Teresina FM)

O ato foi organizado pelo movimento As Vozes de Vanessa Carvalho e conta com o apoio de movimentos de mulheres, tais como: Conselho Municipal de Defesa e Direito da Mulher (CMDM), Fórum de Mulheres Piauienses, Gênero, Mulher, Desenvolvimento e Ação para a Cidadania (GEMDAC), Grupo Homens que Matam, dentre outros.

“Estamos aqui para apoiar todas as famílias, a fim de que o julgamento seja iniciado, a dor dos familiares aliviada e uma resposta dada à sociedade”, afirmou Cleide Holanda, presidente do CMDM.

Relembre os casos

A estudante Iarla Lima foi vítima de feminicídio em junho de 2017, aos 24 anos de idade, pelo ex-namorado, o ex-tenente do Exército José Ricardo da Silva Neto. Na noite do dia 19 daquele mês, a jovem estava com o rapaz em um bar localizado na zona leste de Teresina; segundo a polícia, os dois saíram juntos do local. Momentos depois, Iarla foi assassinada a tiros de arma de fogo.

José Ricardo vai a júri popular por homicídio triplamente qualificado e poderá receber a pena máxima de 30 anos de prisão. O julgamento teve início nesta terça-feira (23) no plenário do Fórum Criminal de Teresina.

Para a mãe de Iarla, Dulcineia Lima, o julgamento proporciona uma sensação de justiça e alivia a ferida que reaparece a cada nova vítima. “Vou ao cemitério três vezes por mês, fica a 16 km da minha casa. É o único lugar em que posso ver minha filha. Espero que o assassino receba a devida lição aqui na Terra”, comentou sob forte emoção.

Também em 2017, só que no mês de outubro, a estudante Camilla Abreu, de apenas 21 anos de idade, foi assassinada pelo ex-namorado. O autor foi o ex-capitão da Polícia Militar Allison Wattson da Silva Nascimento, condenado a 17 anos e seis meses devido ao crime. A jovem desapareceu, na madrugada do dia 26 de outubro daquele ano, após se dirigir a uma faculdade particular de Teresina, onde cursava direito. O corpo de Camilla foi encontrado em um povoado entre a capital e o município de Altos.

Jean Abreu, pai de Camila Abreu e Edson Carvalho, pai de Vanessa Carvalho (Foto: Wanderson Camêlo/Teresina FM)

O pai de Camilla, Jean Abreu, considera muito branda a pena aplicada ao assassino de sua filha. “Passei quatro anos esperando o julgamento. Ele foi condenado por feminicídio, ocultação de cadáver, fraude processual e mesmo assim ficará menos de 20 anos na cadeia. Mas o Ministério Público recorreu e acredito que a punição dele será aumentada”, afirmou.

Há ainda o caso envolvendo Aretha Dantas, que trabalhava como cabeleireira, aconteceu no dia 15 de maio de 2018. Ela, que tinha 32 anos, foi esfaqueada e atropelada na Avenida Maranhão, no bairro Tabuleta, zona Sul de Teresina. Depois de um ano e oito meses preso, o acusado de cometer o crime, Paulo Alves dos Santos (que teve um relacionamento amoroso com a vítima), foi solto no dia 15 de fevereiro de 2020.

Pouco mais de dois anos atrás, a enfermeira Vanessa Carvalho foi atropelada, na saída de uma festa na Avenida Homero Castelo Brando, zona Leste da capital piauiense, por Pablo Henrique Campos Santos. A jovem, de 28 anos de idade, morreu no local. O caso foi registrado na madrugada do dia 29 de setembro de 2019. A vítima atravessava um trecho da via na companhia da amiga Anuxa Kelly (então namorada de Pablo), que também foi atropelada e ficou gravemente ferida.

De acordo com a polícia, Pablo discutiu com Anuxa durante o evento em que estavam. Logo depois, as duas mulheres preferiram deixar o local e sozinhas, foi quando o rapaz usou o carro em que estava para realizar a ação criminosa. O acusado se encontra preso e ainda espera por julgamento.

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